Sobre a autora:

Minha foto
Dayse Carolina
Sem pensamentos clichês e opiniões cópias. Individualista até a última vírgula de sua vida. É uma amante da literatura e da escrita.
Ver meu perfil completo
Feeds RSS
Feeds RSS

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

~ Cotidiano invisível.


O som do tilintar de talheres e xícaras ecoavam por todo o ambiente. E o cheiro de café - que podia ser sentido ao longe impregnava a tradicional e famosa Cafeteria de São Paulo. De dentro do estabelecimento saíra um homem ríspido e de aparência jovem vestindo um terno preto esbravejando ofensas para o gerente do estabelecimento, devido a longa espera por seu pedido. Acendeu um cigarro, e entre tragadas e goles de café caminhava à passos largos até o seu carro estacionado do outro lado da rua; pisando em uma poça no meio da rua, enxarcando um de seus sapatos de couro; que minutos atrás eram impecavelmente brilhosos. O homem logo tratou de agradecer mentalmente pela sua maré de sorte naquela manhã.

Chegando próximo a Avenida Principal, se deu de enconto com uma fila de carros que parecia não acabar e o som ensurdecedor de buzinas. Seus pés, se mexiam frenéticamente ao lado do pedal de freio, enquanto bufava impacientemente; passando as mãos quase pálidas pelos fios negros de seu cabelo que insistentemente caíam sobre seus olhos. Ele não podia chegar atrasado ao seu destino, era um homem de negócios, e perda de tempo significava alguns zeros à menos em sua conta bancária. Ao longe, avistou um garoto de baixa estatura e vestes simples vindo em sua direção vendendo balas e, logo tratou de fechar as janelas do seu veículo. Atitude em vão, o garoto deu três batidas leves no vidro do carro para chamar sua atenção, Gerard revirou os olhos em sinal de impaciência fazendo gestos com a mão esquerda para que o pequeno moribundo saísse. Minutos depois, o congestionamente finalmente acabara.

Atrasado, resolvera cortar caminho por uma rua quase deserta. Não poupou o acelerador, pois se chegasse um minuto à mais podia por fim a sua carreira de executivo bem sucedido. Acendera mais um cigarro, e logo fez uma curva sem se preocupar em diminuir muito a velocidade, mas logo mudou de idéia ao colidir em um carrinho lotado de caixas e papelão. O homem de cabelos negros depositou sua cabeça sobre seus braços ante o volante e logo abriu a porta do carro para verificar o estrago no para-choque do carro. Agachou-se com olhar de reprovação, passando os dedos pelos fios de cabelo de modo impaciente. A pouquíssimos metros dali, um senhor de vestes sujas e com chinelos de dedo tentava se amparar no seu carrinho derrubado para se levantar. Gerard percebendo o que havia feito, apenas olhou para o velho com um olhar indiferente, levou o cigarro até seus lábios rosados e rachados dando uma última tragada antes de jogar o mesmo no chão, entrar no carro e dar partida.

Por: Dayse Carollina. 
Foto: Sem Destino, de Ângelo F. Nuti

Leia Mais…

~ Glamour decadente.

-
 

Quebrar as regras ás vezes faz bem. Diversão ao extremo, sem medir as consequências. Fazer o que quer e bem entender, sem ninguém falando no seu ouvido o que deve ou que não deve, sem sermões. Ir para "aquela" festa com os amigos, e por algumas horas ter uma vida boêmia; aproveitar até o último segundo, e depois chegar em casa no outro dia de manhã, ou não. Ganhar a liberdade poderia ser tão fácil como descrevê-lá. Infelizmente, a vida não é feita de mar de rosas. Sempre encontramos um espinho pelo caminho, um único descuido e você cai do salto e deixa o glamour ir embora. 

Leia Mais…

sábado, 3 de setembro de 2011

Nos bastidores do último suspiro


"Em 1977, o Sex Pistols era a completa apoteose do punk rock. Em fevereiro, o baixista da banda foi substituído por John Ritchie, mais conhecido como Sid Vicious, e o Sex Pistols se transformou em algo completamente diferente. Pouco mais que um jovem vândalo e perturbado, desejando atingir a fama, Sid personificou tudo o que o Sex Pistols desejava representar; ele era cruel e autodestrutivo, viciado em heroína, praticava a autoflagelação e vivia sua vida de modo perturbador. Mas, para Sid, infelizmente, nada disso era mentira. Após a morte de Sid, Johnny Rotten chegou a confessar que Sid "não passava de um cabide que preenchia um espaço vazio no palco".

Por pouco tempo, o Sex Pistols parecia estar prestes a passar de maior fracasso a maior sucesso do rock, quando, nove meses depois da chegada de Sid, o disco, muito esperado deles, "Never mind the bollocks - Here's the sex pistols", rapidamente foi parar no alto das paradas de sucesso, apesar de ou talvez devido ao fato de muitas lojas se recusarem a estocá-lo. Mesmo com essa conquista, a banda conseguiu se destruir em um ano. Após um glorioso período de sucesso, durante o sexto show nos Estados Unidos, Johnny Rotten declarou o fim do grupo.

Com o fim do Sex Pistols, em 1978, Sid e sua namorada, Nancy Spungen, circularam como o casal mais perturbado do ano. Viciada em drogas e ex-go-go dancer, Nancy era a maior fã de Sid, e seu tempestuoso relacionamento com ele começou um ano antes, quando ela viajou para Londres com o único propósito de "dormir com um Sex Pistol". O caso se transformou em um longo romance gótico marcado por problemas com drogas, e, após o casal ter se mudado para o Quarto 100 no Chelsea Hotel, de Manhattan, a relação ficou ainda mais problemática.

Depois de dois meses no hotel, período no qual Nancy trabalhou como prostituta para sustentar seu estilo de vida e sua dependência química, em uma manhã de outubro Sid telefonou para a recepção e informou que havia acordado e encontrado a namorada morta. Quando a polícia chegou, encontrou Nancy deitada sob a pia do banheiro, com o sutiã e a calcinha encharcados de sangue, com uma única estocada no abdômen, causada por uma faca de churrasco. Ainda drogado, Sid foi indiciado por assassinato e preso, mas foi solto poucos dias depois, quando o ex-empresário da banda pagou a fiança de cinquenta mil dólares, graças à Virgin Records.

Sid permaneceu em Manhattan quando foi solto, pois seu passaporte havia sido confiscado, e em dezembro envolveu-se em uma briga numa discoteca e voltou para a prisão em Riker's Island, onde foi internado em uma clínica de desintoxicação. Liberado, limpo e sóbrio, na noite de 1º de fevereiro, foi recebido por alguns de seus amigos viciados no Chelsea. No quarto de um amigo, Sid voltou a se drogar e mais tarde partiu e deitou-se na cama. Sua mãe, Berverly, saíra da Inglaterra para cuidar do filho e, sempre temendo que Sid fosse preso com drogas na rua, lhe comprou um pouco de heroína. Acordou em determinado momento depois da meia-noite e, achando a droga na bolsa da mãe, usou-a e dormiu novamente - dessa vez para sempre. Na manhã seguinte, Beverly encontrou o filho nu no chão, "deitado com expressão calma". A mãe dele o chacoalhou até perceber que estava "muito frio e morto". A morte de Sid, aos 21 anos, foi declarada como acidental. Mas não foi inesperada.

Aos vinte anos, Nancy foi enterrada no King David Cemetery em Bensalem, Pensilvânia (EUA).

Sid foi cremado e dizem por aí que suas cinzas foram espalhadas ou depositadas no túmulo de Nancy. Mas isso parece romântico demais, e tenho certeza de que a família Spungen protestaria, dadas as circunstâncias. Além disso, em uma coletiva de imprensa anunciando a turnê de reencontro do Sex Pistols em 1996, Johnny Rotten disse que "colocaria uma urna funerária sobre a mesa no lugar antes ocupado por ele (Sid), mas infelizmente suas cinzas foram lançadas sobre o Aeroporto Heathrow algum tempo antes. Eu precisaria de um Hoover. 

Trecho do Livro: "Como Eles Morreram", Tod Benoit. 

Leia Mais…

quinta-feira, 30 de junho de 2011

~ By Shakespeare.

-

  .       Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

 .       E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

 .       Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. 

 .       Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

 .       Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. 

 .       Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

 .       Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

 .       Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

 .       Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

 .       Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

 .       Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"

William Shakespeare.

Leia Mais…

Long Hard Road Out of Hell


Mas algum dia, numa época mais emocionante que esse presente inseguro e desgastado, ele deverá ainda vir até nós, o salvador, o homem do grande amor e desprezo, o espírito criativo cuja força persuasiva não o deixará descansar por qualquer inimizade ou apatia, isolação cuja é mal-compreendida pelas pessoas como se isso fosse fora da realidade – enquanto ela é sua única absorção, imersão e penetração na realidade, tanto que, quando ele um dia emergir novamente sob a luz, ele deve trazer para cá a emancipação dessa realidade; sua emancipação da desgraça que a supremacia ideal até agora jogou sobre ela. O homem do futuro, que não nos salvará apenas da supremacia ideal atual, mas também daquilo que foi predeterminado a nascer dela, a grande náusea, o desejo do nada, niilismo; essa badalada do meio-dia e da grande decisão que liberta o desejo novamente e restabelece seu objetivo para com a Terra e sua esperança para com os homens; esse Anticristo e antiniilismo; esse vencedor perante Deus e ao nada – ele deve vir até nós algum dia. 

Friedrich Nietzche, Genealogia da Moral.

Leia Mais…

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Ana Cristina cadê você?"

-
"Estátuas e cofres. E paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da janela do quinto andar." 
-
"Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as conseqüências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei para cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta contramão" (Mocidade Independente - Ana C.)
      -
.       20 de Outubro, foi o Dia do poeta. E por coincidência, em 29 de Outubro completou-se 27 anos da morte de Ana Cristina César, a poeta dita marginal. Podemos até colocá-la junto a grandes nomes - não só da Literatura, como da Música e Cinema, que morreram no auge, aos 31 anos. Para quem não a conhece, uma pequena biografia:  
-
 .       Ana Cristina Cesar fez parte de uma geração que viveu importantes acontecimentos políticos. Em maio de 1968, estudantes e trabalhadores sacudiram a França com greves e confrontos contra o autoritarismo, influenciando outras partes do mundo. Sua obra guarda uma sensibilidade tão ímpar quanto a beleza simples de seus versos. Com uma linguagem livre de exageros estéticos, a poesia de Ana C. retrata seu testemunho perplexo diante da vida. Há também em seus poemas o caráter confessional, apresentando o registro da intimidade como se estivéssemos lendo cartas e diários particulares. Isso fica claro nos versos: “Faz três semanas/espero depois da novela/sem falta/um telefonema/de algum ponto perdido do país”. A maneira fragmentária de revelar esta intimidade faz algumas vezes tudo parecer mera aparência, como se a poesia fosse um jogo de gato e rato. De todo modo, Ana Cristina traz à tona pequenas revelações de quem sempre aparentou estar esperando por alguém. A verdade é que sua obra reserva uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico. E é exatamente por isso que ela permanece. 
-
.       Vivera em uma época marcada pela contracultura, pelo deboche, pela liberdade sexual, pela força de movimentos feministas, defesa dos direitos civis e dos trabalhadores. Entre tantos fatos, a poeta não mediu palavras e esforços para fugir da rotina comum. "Infringiu a regra de ouro" se libertando do estereótipo de mulherzinha, tratando de dar liberdade para si mesma. "Voou para cima" se esquecendo dos limites, e "andou na contramão" ao desvencilhar-se do conjunto de regras e cotidiano clichê dos anos 80.
-
.       O trecho da música "Pais e Filhos" do Legião Urbana é muito sugestivo; e não poderia escolher outro fragmento para abrir esta postagem, uma vez que a escritora cometeu suicídio atirando-se da janela do 13º andar de um edifício da Rua Tonelero, aos trinta e um anos de idade.

Leia Mais…

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Filmografia em Fotos: Jared Joseph Leto

-
Entre os músicos que resolveram mudar o disco e partir para o mundo do cinema, Jared Leto é apenas mais um nome. Para ressaltar a assertiva, temos Johnny Depp que graças ao desgaste emocional proporcionado pelos seus dias na escola resolvera ser músico. Ao contrário de Depp, Jared não pendurou seus instrumentos em um canto da sala e muito menos deixou sua carreira como músico em segundo plano e quisá como um "projeto paralelo".

Natural de Louisiana, nos Estados Unidos o homem de quase 40 anos, no início dos anos 90 decidiu mudar-se para Los Angeles com a primeira intenção de se tornar músico, mas em 1994 não recuou diante da proposta de interpretar Jordan Catalano em My So Called Life. Em suma, são mais de 20 trabalhos no cinema; com alguns reconhecidos devido a plena devoção de Leto ao seus personagens quando engordou cerca de 30Kg para viver Mark Chapman, o assassino de John Lennon e emagreceu aproximadamente 10kg para interpretar um viciado em drogas, no filme Requiem For a Dream. Tendo trabalhado ao lado de grandes atores e diretores de cinema e assumindo o posto de galã, tendo seu empenho e devoção reconhecidos, aqui está a Filmografia em Fotos de Jared Leto.

Leia Mais…