Mas algum dia, numa época mais emocionante que esse presente inseguro e desgastado, ele deverá ainda vir até nós, o salvador, o homem do grande amor e desprezo, o espírito criativo cuja força persuasiva não o deixará descansar por qualquer inimizade ou apatia, isolação cuja é mal-compreendida pelas pessoas como se isso fosse fora da realidade – enquanto ela é sua única absorção, imersão e penetração na realidade, tanto que, quando ele um dia emergir novamente sob a luz, ele deve trazer para cá a emancipação dessa realidade; sua emancipação da desgraça que a supremacia ideal até agora jogou sobre ela. O homem do futuro, que não nos salvará apenas da supremacia ideal atual, mas também daquilo que foi predeterminado a nascer dela, a grande náusea, o desejo do nada, niilismo; essa badalada do meio-dia e da grande decisão que liberta o desejo novamente e restabelece seu objetivo para com a Terra e sua esperança para com os homens; esse Anticristo e antiniilismo; esse vencedor perante Deus e ao nada – ele deve vir até nós algum dia.
Friedrich Nietzche, Genealogia da Moral.


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