-
"Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas pra viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas através das estrelas."
-
. Sabe, existem livros e autores que devem ser lidos em uma determinada altura da sua vida, ilustrando esta assertiva temos: Lewis Carroll e Edward Lear, e não seria diferente com Jack Kerouac. Quem teve o prazer de ler On The Road no auge de suas vida, digamos assim, verá que é a pura verdade. Claro, se você deixar este livro em sua pequena biblioteca e desfrutar das ideias de Kerouac quando for mais velho, não sentirá o mesmo entusiasmo se tivesse o feito há uns vinte, trinta anos atrás. Fica a dica do meu professor de Literatura.
-
Jean-Louis Lebris de Kerouac (12 de Março de 1922 - 21 de Outubro de 1969)
-
. Escritor norte-americano e porta-voz da geração beat, que marcou o final dos anos 50 nos Estados Unidos e preparou a contracultura da década seguinte. Jack-Louis Kerouac nasce em Lowell, no estado de Massachusetts. Quando não estava viajando, perambulava por Nova Iorque acompanhado de seus amigos "delinqüentes" da Universidade de Columbia, entre eles Allen Ginsberg e William Burroughs, além de seu maior companheiro de viagens, Neal Cassady, o “Cowboy”. Foi a época em que conheceu os grandes amigos que formariam, alguns anos mais tarde, o pelotão de frente da Geração Beat. A relação do escritor com Neal foi determinante para despertar em Jack sua vontade reprimida de botar o pé na estrada e desfrutar de uma liberdade ainda não experimentada. Os dois viajaram por sete anos percorrendo a Rota 66, que cruza os EUA na direção leste-oeste, com descidas freqüentes ao México. Saíram de Nova York e cruzaram o país em direção a São Francisco. Dessa jornada saiu o livro On the Road, cujo protagonista é Dean Moriarty, o nome criado por Jack para representar o amigo Neal. Na tentativa de escrever sobre as surpreendentes viagens que vinha fazendo com o amigo, experimentou formas mais livres e espontâneas de escrever, contando as suas viagens exatamente como elas tinham acontecido, sem parar para pensar ou formular frases.
-
. Certa vez Lispector disse: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Certo, há quem prefira viver de modo recatado, sem extravagâncias. Seguindo a atordoante rotina da vida, cumprindo seu papel na perpetuação da espécie. Elas apenas.. vivem. Se de um lado existem os recatados, do outro lado encontramos àqueles que norteiam a rotina e não seguem um cotidiano "normalzinho". Em linhas gerais, eles optam por viver intensamente; com curiosidades incessantes e sedentos pela descoberta do novo. Pôr a mochila nas costas e simplesmente sair rumo à qualquer direção. Mergulhando em um mundo em que "Limite" é uma palavra que não existe em seu dicionário.
-
. Assim fizeram os jovens da década de 50 e 60 na tão conhecida "Beat Generation", termo cunhado pelo escritor Jack Kerouac - que viajou na marinha mercante em plena Segunda Guerra Mundial, percorreu a América de ponta à ponta, em busca de mulheres, drogas ou uma “nova visão” – estas viagens viriam a culminar no épico On the Road, que mais tarde foi considerado a "bíblia hippie". Kerouac tornou-se um símbolo e um herói da cultura dos anos 1960. Nas palavras do próprio: "A Beat Generation, que foi uma visão que nós, John Clellon Holmes e eu, e Allen Ginsberg tivemos, numa maneira ainda mais selvagem, no final dos anos 40, de uma geração de loucos, iluminados hipsters, fez subitamente a América ascender e avançar, seriamente a vadiar e a pedir boleia em todo o lado, esfarrapada, beatificada, bonita de uma nova forma graciosamente feia." Convém ponderar que muitas vezes bate aquela vontade de ser "Kerouac por um dia", ou até mesmo semanas, meses. Ou mergulhar sem medir consequências, e se render sem se preocupar em entender. Talvez este seja o real significado de V I V E R.




16 comentários:
Isso sim é viver intensamente. Tenho paixão por pessoas loucas, que sabem bem viver e não apenas existir.
que blog é esse ? nooooooooossa, eu ADOREI.
Loucura é com o Humor Sulfúrico mesmo;;;
Nossa, muito show o teu blog! Muito bem escrito e informação bastante útil e clara! =D
Sim, tenho essas vontades de me jogar nesse universo gigante sem me preocupar.
Parabéns pelo post e pelo blog, guria!
Adelante!
Natália A.
Nossa.. *--* eu li On the Road na tradução do eduardo bueno e é muito legal... Parece que o bob dylan decidiu sair de casa por causa desse livro. Esse livro foi o motor de arranque da contracultura!
quem não leu eu recomendo!!
Se um dia eu tiver a oportunidade o lerei :D
a musica e linda, mas nao gosto quando ela toca no automatico... bjo
http://refemdarotina.blogspot.com/
Grande fã de livros, grande fã de autores... vou procurar e vou ler *__*
bjaum1
www.suportedamente.blogspot.com
Todos os dias eu me esforço para viver como o Kerouac... agora fiquei com ainda mais vontade de comprar o On the Road e fazer mais juz ao meu apelido, rsrsrsrsrs' ótimo texto, very very
-
Eu também quero viver como Kerouac.
Sexo, drogas e rock'n'roll. Porém, já diria o filósofo romeno Cioran: "as drogas deste mundo foram fracas demais para me fazer esquecê-lo".
Abraços,
http://coolercheio.blogspot.com/
Cool.
A citação de Clarice é simplesmente uma das que mais gosto, poís resume a vida de muitos por aí, render-se é preciso, mas nem tudo que é preciso é feito, deixamos, perdemos, tudo vai passando despercebido e o que não lembramos é que nada disso vai voltar e, o que deixamos de fazer, de viver, talvez não seja mais possivel quando acordar-mos...
Era para ter citado o Eduardo Bueno, o tradutor.
"(...) render-se é preciso, mas nem tudo que é preciso é feito" Sim, exatamente Renata.
"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Certo, há quem prefira viver de modo recatado, sem extravagâncias."
Clarice é Clarice
mto bom :)
tenho vontade de botar o pé na estrada, mas os paradigmas nao me deixam :X
Postar um comentário
Obrigada a quem leu a postagem, e muitíssimo obrigada pelo seu comentário. Volte sempre ;)